Concessão e pedágios

VÍDEO: o que muda no projeto de duplicação da RSC-287

18.306

data-filename="retriever" style="width: 100%;">Foto: Renan Mattos (Diário)

Após a reviravolta ocorrida na semana passada, com a divulgação das primeiras mudanças no projeto de concessão para pedágios e duplicação da RSC-287, conforme o Diário informou em primeira mão, o secretário estadual de Parcerias, Bruno Vanuzzi, esteve nesta segunda-feira na cidade para esclarecer as alterações e tentar tranquilizar as autoridades e a população sobre o projeto. Em conversa de duas horas com prefeitos da região e entidades, Vanuzzi confirmou as informações que havia antecipado ao Diário e informou ainda que foram incluídas outras melhorias.

Veja mais no vídeo:


Na prática, a duplicação de Santa Maria a Novo Cabrais não será mais nos anos 9 a 11 da concessão, mas ficará condicionada a quando o tráfego atingir 18 mil eixos por dia. Ou no máximo, sairá nos anos 19 a 21 da concessão, o que pode ocorrer até 2042, contando com o prazo de um ano de prorrogação.

- O importante é que serão 133 km duplicados até o ano 9 (possivelmente em 2029), e os outros 71 km duplicados quando o VDMAeq (volume de eixos equivalentes) atingir 18 mil por dia ou, no máximo nos anos 19 a 21. Acreditamos que será antes disso - diz Vanuzzi, esclarecendo que VMAeq 18 mil representa cerca de 10 mil veículos/dia.

Ele diz que concessões da União têm previsto duplicação total das rodovias até o ano 18.

Em compensação, Vanuzzi confirmou que o projeto passará a incluir terceiras faixas para melhorar o trânsito, conforme o governador Eduardo Leite (PSDB) havia afirmado na sexta, em Caçapava do Sul, e anunciou uma novidade: também serão previstas mais rotatórias (trevos) para melhorar o acesso a vilas e cidades às margens da 287. No projeto original, nenhuma dessas melhorias estava prevista. A meta é construir tudo isso até o 4º ano da concessão.

- Na viagem da Capital a Santa Maria, anotei pelo menos 11 trechos em que pode haver necessidade de terceiras faixas. Um é numa subida, logo após o posto do Batalhão Rodoviário de Novo Cabrais, onde os caminhões têm dificuldade de reacelerar. Também percebi que, passando a área central de Paraíso do Sul, há duas vilas em que é preciso construir rótulas. Na Vila Rosa, também não tem rótula. A ideia é construí-las e, junto dela, colocar também uma faixa extra para os caminhões, que demoram mais a retomar a velocidade. Serão pontos extras de ultrapassagem. O projeto quer garantir segurança - afirmou Vanuzzi, citando que hoje se reunirá com o Batalhão Rodoviário da Brigada Militar para analisar os pontos com mais acidentes e definir os locais que precisarão de melhorias nos anos iniciais.

Ele apresentou estatísticas de acidentes e mortes em cada km da rodovia, o que vai ajudar na análise. O secretário fez longa explanação sobre os motivos das mudanças: alta de 95% do asfalto em 3 anos, projeções de aumento de tráfego acima da usada pela União, dificuldade para a concessionária obter financiamentos se as obras fossem no prazo anterior, e necessidade de incluir na concessão obras inacabadas do Crema 2.

APÓS AS MUDANÇAS

Como era o projeto 

  • A proposta inicial, apresentada pelo Estado em 2019, previa que a RSC-287 seria concedida, e que a empresa que assumir a estrada instalaria três novas praças de pedágio de Santa Maria a Tabaí (além de permanecer as duas da EGR), com cobrança da tarifa a partir do 2º ano da concessão. Em contrapartida, recuperaria os 204 km e, do 5º ao 11º ano de concessão, duplicaria toda a estrada, de Tabaí até Santa Maria 

Como ficou o projeto agora

  • Na segunda-feira da semana passada, o secretário Bruno Vanuzzi disse que duplicação de Santa Maria a Novo Cabrais não tinha mais data, e que só começaria quando volume diário atingisse 18 mil eixos por dia. Na última terça, ele afirmou que foi um mal entendido e que o que vale é o seguinte: de Novo Cabrais a Santa Maria, duplicação foi adiada dos anos 9 a 11 da concessão (2030 a 2032) para os anos 19 a 21 (2040 a 2042, contando prorrogação), ou será antes, se tráfego nos subtrechos atingir 18 mil eixos por dia
  • Antes disso, seguirá valendo o início da cobrança do pedágio nas novas praças (perto do trevo do Santuário, Paraíso do Sul e Tabaí) quando a rodovia estiver totalmente recuperada e sinalizada. A princípio, a cobrança deve começar no 2º ano da concessão, em 2022. Nas duas praças atuais, cobrança seguirá desde o início
  • A principal mudança divulgada ontem por Vanuzzi é que o projeto vai prever, nos anos iniciais, a construção de terceiras faixas nos trechos rurais, para permitir ultrapassagens, e de rotatórias nos acessos a cidades e vilas mais populosos às margens da rodovia. Logo após as rotatórias, deve haver terceiras faixas para que carros ultrapassagem caminhões. Novo projeto prevê antecipação de obras, se necessário
  • Outra mudança é que foi antecipada para o 3º e 4º ano de concessão a duplicação dos trechos urbanos em seis cidades, e não mais no 4º e 5º anos, indicados em amarelo e laranja no mapa abaixo. Em Santa Maria, será duplicado só 1,5 km do trevo do aeroporto em direção à Base já no 4º ano, possivelmente em 2024
  • O Estado prevê que edital da concessão saia em maio e que o leilão ocorra em agosto (definindo a tarifa), com a empresa assumindo a RSC-287 em novembro

data-filename="retriever" style="width: 100%;">Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)

NOVO PROJETO TEVE ELOGIOS E CRÍTICAS
A apresentação feita pelo secretário Bruno Vanuzzi, para um auditório quase lotado, dividiu opiniões. Prefeitos e líderes empresariais elogiaram a clareza das explicações e as melhorias previstas pela nova proposta de concessão da RSC-287, mas também criticaram o adiamento da duplicação do trecho entre Santa Maria e Novo Cabrais.

RSC-287 tem mais acidentes no trecho de Santa Maria a Novo Cabrais do que no resto da rodovia

O professor Carlos Felix, do Grupo de Estudos de Mobilidade da UFSM, elogiou as mudanças para garantir mais segurança, mas alertou que o Estado não deve levar em conta só o volume de tráfego (18 mil eixos equivalentes por dia) para definir quando um trecho precisa ser duplicado. Ele afirmou que é preciso também levar estipular as duplicação a partir dos índices de acidentes e quando um ponto começa a congestionar, o que já está estipulado em regras adotadas internacionalmente.

Rodrigo Decimo, da Cacism, Souvenir Machado, do Fórum de Entidades Empresariais, e Ademir José da Costa, do Sindilojas, disseram estar frustrados com o adiamento da duplicação.

O prefeito de Restinga Sêca, Paulo Salerno (MDB) voltou a cobrar a inclusão da Faixa Nova de Camobi na concessão, mas Vanuzzi reafirmou que, por ser trecho urbano, é complexo fazer essa obra, já que envolve redes de água, energia, esgoto, modificações de acessos e negociações com moradores e empresas.

Colunista Deni Zolin elogia mudanças, apesar de possível adiamento da duplicação

O vice-reitor da UFSM Luciano Schuch fez duras críticas à forma como os governos tratam a Região Central:

- É uma frustração não contarmos com a duplicação aqui na região no prazo prometido. Não é uma crítica a esse governos, mas a todos os governos que passaram deixam Santa Maria de lado. O meu medo é que vá ter novas mudanças.

Ao final do encontro, o prefeito de Santa Maria Jorge Pozzobom (PSDB) comentou que o novo projeto garantirá segurança jurídica, pois evitará que uma empresa assuma a concessão e, depois, abandone a rodovia.

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Reflexos da alta do dólar já são sentidos em Santa Maria Anterior

Reflexos da alta do dólar já são sentidos em Santa Maria

Itaú fecha agência no centro de Santa Maria Próximo

Itaú fecha agência no centro de Santa Maria

Economia